sábado, 5 de fevereiro de 2011

Status do Macho


Macho que é macho troca pneu de carro em plena tempestade de verão, com um charuto na boca e uma garrafa de aguardente na mão. Macho que é macho caga de bruço no chão com as pernas fechadas. Macho que é macho come todas “as muié”, e nunca abaixa a crista. Macho que é macho é anabólico e fala – Lugar de mulher é no tanquinho. Macho que é macho tem carro importado e voa baixo com sua moto. Macho que é macho é carinhoso e compreensivo. Macho que é macho sempre tem uma galinha amarela a seu dispor, e por ai vai... Do macho de cozinha ao macho metros-sexual

O discurso social muitas vezes autentica o ser macho, homem, por meio de insultos que circulam em todas as esquinas, bares, lares e afins. Fornecendo apenas algumas condições de ser macho e homem. O discurso se repete e ganha novas “Verdades” que agora há nas falácias do mercado neo liberal, exposto em vitrines, onde não há espaço para a angustia, tristeza e coisas de pessoas fracas. E o que vemos? - Esses sentimentos ressurgirem com a mesma intensidade que lhe viram as costas. O pior é quando nem isso acontece. Mas ao que eu quero dar uma pincelada não se refere a esse fato, mas sim ao discurso massacrante e imaginário que é impelido pelo social na certeza do que é um – Macho.

Para começo, Macho, não resume ninguém é apenas um significante, um semblante e uma hora ou outra se vai ao vento. Sabemos que nos respondemos, se podemos chamar de respostas, na cadeia de significantes, e essa condição que o social emprega como único é um insulto – um nome. Somos mais que isso, ser homem é estar na pluralidade para o fim de uma ética própria. Fato simples – Homossexual é um homem que gosta de homem. Toma! A primeira pedrada nessa frágil estrutura de vidro. Talvez isso explique os chiliques dos homofóbicos, essa homofobia que mais me parece uma homofolia recalcada.

Creio na necessidade, e como o único caminho o destacar-se desse discurso, descolar-se, cair, não aceitar esse insulto, esse nome. Mas sim, fazer valer sua própria ética, caso contrário o número de angustiados e depressivos enlouquecidos em seus estados pulsionais vão continuar ascendente rumo a crença em uma mentira desmedida.

4 comentários:

  1. Rebeca Eliza Kovalhuk5 de fevereiro de 2011 16:01

    Concordo com o homofolia recalcada! ;)

    Mto bom!

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  2. Amigo, acredito que ainda que haja insistentemente o reforço de todo esse "personagem" que criaram e criam para o macho, as coisas estão mudando...
    Assim como a mulher ocupa outros espaços e adquire nova configuração para este nome MULHER, que antes lhe eram impedidos, o homem também tem suas conquistas. Está abrindo alas e pede passagem...
    Quem disse que embalar um bebê, fazer uma faxina na casa, ser professor de ensino fundamnetal, ou bailarino, entre tantos outros, lhe tira a masculinidade?
    Ponto a mais pra esses...
    Temos vários exemplos de homens que desempanham funções, antes ditas femininas, da mesma maneira hábil.
    Creio em necessidade primeiramente, necessidade do que lhe dê algum sentido. E isso basta. Agora, cabe ao próprio macho esta conquista, bem como cabe à ala feminina cooperar com esta questão (e vice versa qdo a questão diz respeito à mulher)
    Sim, pq tem mta mulher preconceituosa e reforçadora desse "enredo" todo.

    Acho incrível a transformação social. Que bom que as coisas evoluem e que as pessoas podem ser mais autênticas, e fazer/desempenhar o que lhes faz feliz.

    Qto à homofobia:

    "essa homofobia que mais me parece uma homofolia recalcada."

    Owww yes!!

    Freud explica!

    Não sei se me referi ao que vc quis colocar, mas gostei do post. Um -sai pra lá! pra toda marginalidade, inclusive a essa que ainda se mantèm ao gênero masculino.

    Belo post!

    Parabéns

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  3. Lembra-me toda a coisa do homem desbussolado ao qual Jorge Forbes se refere.

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  4. Parabéns pelo blog,
    Seguirei aqui,
    Saudações,
    Paulo

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