sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Por não estarem distraídos



Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.


(Clarice Lispector)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Da Eterna Procura

Só o desejo inquieto, que não passa,
Faz o encanto da cosa desejada...
E terminamos desdenhando a caça
Pela doida aventura da caçada.
(M. Quintana)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A Loucura o mais puro diamante...


POEMA


O grilo procura

no escuro

o mais puro diamante perdido.


O grilo

com as suas frágeis britadeiras de vidro

perfura


as implacáveis solidões noturnas,


E se o que tanto procura só existe

em tua límpida loucura


-que importa?-


isso

exatamente isso

é o teu diamante mais puro!


(Mario Quintana)


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A Poesia e a Clínica

A professora Walkiria Helena Grant, Pós-graduada em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano do Instituto de Psicologia da USP; analista-membro da Associação Campinense de Psicanálise, apresentou um trabalho com o titulo de "O DIAGNOSTICO ESTRUTURAL E SUA RELAÇAO COM A TRANSFERENCIA EM UM TRATAMENTO ANALITICO" na reunião do GT "Pesquisa em Psicanálise", no décimo Simpósio de Pesquisa e Intercâmbio Científico da Anpepp, em Aracruz, Espírito Santo em 2004. Esse mesmo trabalho foi adaptado a revista Agora na publicação de jul/dez 2007.
Nota-se nesse trabalho a importância da capacidade simbólica que a poesia pode fornecer ao sujeito,em especial a casos clínicos limites, no qual o sujeito apresenta um funcionamento neurótico coexistindo com o mecanismo de foraclusão.
É um trabalho que vale apena ler e estudar e que tem como ancoragem final uma poesia de Chico Buarque. Cara leitores - "Bom proveito".


Link para o Trabalho:
http://www.scielo.br/pdf/agora/v10n2/a03v10n2.pdf

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A POESIA DE ADÉLIA PRADO E A PSICANÁLISE:A ENCARNAÇÃO DO REAL (Cristiana Facchinetti)

Qual a relação entre psicanálise e literatura? Duas vias podem ser abordadas: uma vez que a cultura encontra-se como tema de estudo da psicanálise, seus produtos, incluindo neles a literatura, devem ter lugar em sua pesquisa. Este parece ser o caminho tomado por Freud, que utilizou personagens e obras para "vislumbrar a vida imaginária dos homens".

No entanto, Freud acaba por apontar outro viés que nos encaminha para um mais além do imaginário: o fenômeno literário passa a ser também pesquisado sob o ponto de vista de um inapreensível para a ciência, denominado por ele como prazer preliminar.

A partir da trilha iniciada por Freud, Lacan se volta de maneira sistemática para a literatura, propondo uma concepção para esta que se distancia de um tratamento de sujeito dado às personagens.

"A Carta Roubada"é um texto que permite-nos verificar tal reflexão. Nele, as personagens são elos de uma cadeia simbólica que se alteram e deslocam-se sob a influência da carta (a letra) como significante. A partir de tal formulação, as entrelinhas do texto surgem como inscrição no discurso e nos seus possíveis efeitos de sentido. A literatura é aí pensada como aquilo que resulta da sublimação e do desejo que se sustenta na cadeia significante.

Entretanto, e é aí que a questão nos interessa particularmente, só haveria sublimação no contexto do que Lacan vai chamar de boa neurose. Assim, se a sublimação supõe um saber capaz de produzir a obra, tal saber implica, por outro lado, levar a escrita até os limites máximos de si mesma, ao mesmo tempo em que a mantém presa a um laço social, isso é, produzindo um discurso que possa ter sentido.

Trata-se, portanto, de uma inscrição do real no simbólico, inscrição essa sempre parcial, inacabada, mas que deixa apresentar o real na sua dimensão de presentificação primeira no psiquismo. Tal dimensão aponta para uma tensão entre o saber e aquilo que não é passível de se acessar pela via do conhecimento.

Um poeta em carne

A poesia de Adélia Prado está justamente compreendida naquilo que aponta para o impossível: o real. Tal modo associa-se ao corpo erógeno, à carnalidade do desejo, que se apresenta como uma obra onde o campo da afetação e o da intensidade pulsional comparecem com sua força, onde pode irromper o novo em sua brutalidade carnal e surpreendente.

É neste nicho que se abre, no esburacar-se das sedas, que se produz a obra de Adélia Prado. Longe de dissipar seu pulsar erótico e erógeno num eterno mirar de seu próprio umbigo, ou de controlar e acorrentar o mundo que o cerca, o poeta põe-se defronte ao mundo e é por ele atravessado.

O poeta recusa a condição de gauche / coxo na vida. Sua delimitação crucial é muito mais sua condição de poeta e o fato de que tal condição particular lhe abre uma porta, um a-mais para uma nova possibilidade: a de ser desdobrável.

Tal sina dirige a poesia retroativa e paradoxalmente para a (re)inauguração do sujeito, constituído e constituinte da carne mesma: não é preciso esquivar-se do mundo e de suas impressões uma vez que a Coisa falta. Ao invés disso, trata-se de desejar e de comungar sensorialmente com seus objetos. Tal comunhão, vale dizer, se faz através das "sensibilidades sem governo".

Comungar com o mundo e com seus objetos é, antes de tudo, admitir-se elo de uma cadeia onde o que realmente importa é o desdobramento sensível dos corpos. E diante de tal insuficiência, ao poeta não é dado prescindir da poesia.

Ao contrário, justamente de suas faltas é que se instala a avidez do poeta. Dos seus limites e finitude mantém-se uma força que o põe em processo de criar um imaterial que, para sua perplexidade, está sempre em fase de advir. Assim, é a ausência de conhecimento e saber que o impelem na construção sempre nova de uma memória, de traços mnêmicos moventes, constitutivos e criadores do presente do poema.

Na ausência do mundo organizado do simbólico, a vocação poética que lhe é possível diante de sua intensidade é a da exaltação da carne: a carne incorruptível. É justamente a poesia que permite à carne manter-se atada ao mundo e mesmo ressuscitar - "A poesia me salvará".

Mas se a poesia salva, isto não significa que através dela possa-se tapar o furo que nos leva ao desamparo. Estando atingido pela brutalidade das coisas, ao poeta não é dado proteger-se: o que seu deus lhe concede é não descansar e ser por tudo ferido de morte. Mas vale apontar que tal dor reflete-se em dádiva, em alegria de viver, em gozo do corpo e da alma.

De fato, sua poesia mística, ao invés de colocar-se no lugar da crítica e do abandono do mundo, ou mesmo de propor a salvação ou solução deste, aponta muito mais para a dispersão no corpo.

Podemos dizer que o fundamento da poética adeliana é a adesão ao sensível, num ato carnal com aquilo que poderá tornar-se significante, mas que vem ao nosso encontro como percepção imagética que se marca na ausência de um nome e que passa a ter sentido ao ser nomeado.

A poesia atinge seu ápice quando consegue ser a mais pura manifestação do sensível uma vez que, de tudo o que pretendem explicar, analisar ou traduzir, "as palavras só contam o que se sabe". Deste modo, aquele que acha que diz está apenas repetindo. Na verdade,

a palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,

foi inventada para ser calada.

Em momentos de graça, infreqüentíssimos,

se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.

Puro susto e terror.

Em Adélia Prado, a descontinuidade detectada por Foucault a partir do século XVII entre palavra e coisa, parece dissolvida . Aqui, a palavra é tratada ora como a Coisa -

Quem entender a linguagem entende Deuscujo Filho é o Verbo.

Morre quem entender.

Ora como coisas do mundo, onde o que importa é a sonoridade de que dispõem, a estrutura que criam, muito mais do que seu significado. Os fragmentos das conversas dispersas, estes também são poesia. A palavra mistura-se aos objetos do mundo, ela própria é objeto. O ato de escrever e fazer poesia estão então próximos à música que se desdobra nos ouvidos

Se quiser, ponho agora a ária na quarta corda,para me sentir clemente apaziguada

A fala, nesta obra, comparece concretamente fazendo parte da vida. O mundo que a linguagem evoca existe como a própria linguagem, do mesmo modo que corpo e alma não suportam divisão. Mais uma vez, a fratura sujeito-objeto na perspectiva da linguagem e da dissolução mística parece elidida.

O eu-poeta e o mundo estão sempre prestes a nascer, morrer e ressuscitar, seu corpo traz sempre uma ferida aberta para todas as materialidades que, como corpo estranho, marcam-nos de modo novo.

Em Adélia, o sujeito está sempre advindo, sendo aquilo que não pára de se inscrever no mundo por ele mesmo criado: um sujeito nada pragmático, útil, mítico, ideológico ou neo-liberal, mas uma eterna possibilidade de criação de um novo sujeito e de um novo mundo que inaugure uma singularidade capaz de parir novos reinos: afinal, se dor não é amargura, pode ser a travessia para um novo começo.

3- O poeta, o psicanalista

Como se a própria estrutura do fenômeno literário - e sua característica de criação de um novo significante que não tapa a verdade do impossível - já não bastasse para justificar o interesse da teoria psicanalítica pela literatura, há um outro eixo de fundamental importância para o tripé psicanalítico e que a poesia de Adélia parece fazer florescer particularmente: a clínica.

De fato, Lacan liga a escrita poética à interpretação psicanalítica quando nos diz que o analista deveria ser poeta ou poata. Torna-se imprescindível aproximarmo-nos ainda mais da escritura, de modo a nos avizinharmos do que Lacan pretende ao fazer tal afirmação.

A poesia, que é efeito de sentido, é também efeito de furo. Ela não se situa, portanto, no terreno do significado, se fechando num todo possível, mas parte para os limites do impossível. O sentido no discurso analítico tampouco é simplesmente o significado de um discurso. Ele é efeito de sentido, como na poesia.

Sendo assim, a poesia e a análise existem por permitirem interpretação. Do mesmo modo que o escritor lapida o excesso de modo a produzir o novo em sua poesia, o setting deve ser fecundo e produzir um novo significante que seja fecundo também - é o efeito de furo - e dar um sentido - é o efeito de sentido. Consistência efetiva do real e do imaginário, portanto.

Quando tratamos aqui de um significante novo, partimos do pressuposto de que este seja um significante necessariamente inventado, que se distingue em sua singularidade e diferença daquele dado ao sujeito ao advir.

Apenas deste modo a produção do sujeito pode não ser da ordem da repetição, rememoração e elaboração, mas da ordem da fecundidade da invenção. Ao parir este significante novo, o sujeito se engendra como sujeito da diferença e pode dar vazão às intensidades. Esta é sua fecundidade:

"(...) Quero comer o mundo e ficar grávida, virar giganta com o nome de Frederica, pra se cutucar na minha barriga e eu fredericar coisas e filhos com a cor amarela e roxa, fredericar frutas, água fresca, as pernas abertas, parindo. Por dentro faço mel como colméias, põe tua língua no meu favo hexágono."

Quando Lacan une a escrita poética à interpretação analítica, quer sublinhar que a escrita não é aquilo através do qual a ressonância do corpo - a poesia - se exprime, se explica ou significa. O que importa nela é muito mais o seu aspecto essencialmente sonoro, seu aspecto de objeto concreto que se vê, a palavra como pedra bruta, a consistência do corpo como real.

Outro aspecto da poesia, inseparável da produção do novo, é o fato de ter efeito de sentido, consistência do imaginário. A poesia faz com que o significado e/ou o mundo possam surgir, criando uma realidade.

O efeito de sentido não é imaginário no sentido da ilusão, do engodo, mas aponta para o registro do imaginário em sua consistência, ou seja, o real. É o ato de dar um nome, que se nomeie alguma Coisa (das Ding), que faz surgir a dimensão das coisas( die Sachen), as quais extraem seu fundamento do real.

Escrever é pôr na página, até criar a obra, a relação do escrito com a corporeidade e também com o Outro; é transformar o imaterial e a relação não-recíproca numa relação de pura diferença, mas que ainda assim traga a marca de um encontro possível. Afinal, entre a escritura e a obra há uma ruptura violenta, a passagem do mundo onde tudo tem sentido para onde nada tem sentido ainda, mas para tudo o que tem sentido remonta como em direção a sua origem.

É neste processo que o sujeito advém como efeito de subjetividade ligado ao gozo absoluto. Esse sujeito é corpo. Cada uma das marcas pela qual passou o desejo foi delimitando-o. Um corpo, diz Lacan, isso se goza por corporizá-lo num sistema de sentido e de furo.

De que ordem então é a consistência do corpo? Convém observarmos que sensação e percepção aparecem como modos do ser-corpo. Sensação quanto à palavra, percepção quanto à oração e, finalmente, imaginação quanto à relação entre duas orações e a pausa. O corpo – isso se goza ao produzir a imagem. Se o poeta, cujas palavras fazem imagem, encanta, é através do gozo consigo mesmo que ele comunica. O que não impede que o gozo na imagem - e o gozo do Outro em geral - possa ser o gozo mortífero por excelência - há sempre a contramão do narcisismo exacerbado e da pulsão de morte.

O sujeito separado não é mais o corpo do significante puro, mas é verbo, é fala. O corpo se esvazia e recebe nele o não-significante. É aí na fala que se produz o gozo puro constitutivo do inconsciente - ele ex-siste no corpo. O corpo do sujeito onde se ligam o não-significante e o significante é símbolo. A poesia reencontra "alíngua" materna, mas através do discurso.

"O meu saber da língua é folclóricoMuitos me argüirão deste pecado"(...)'belo vale, por que belo vale'este som de leite e veludo.Quis dizer nêspera e não disse."

BIBLIOGRAFIA

BLANCHOT, M., L'Espace litteréraire, Paris, Gallimard, col. Idées,1955.
FREUD, S., Der Wahn und die Träume in W. Jensens Gradiva, SFS, Frankfurt, S. Fischer, vol. 10, 1906-7, pgs.9-86.
FREUD, S., Der Dichter und das Phantasieren, SFS, Frankfurt, S. Fischer, vol. 10, 1908.
LACAN, J., Seminário sobre a Carta Roubada, Escritos, São Paulo, Perspectiva, 1966, pgs.17-68.
LACAN, J., O Seminário, Livro XIX, Ou Pire...(1971-72)
LACAN, J., O Seminário, Livro XX, Mais, Ainda, Rio de Janeiro, Zahar, 1985.
PRADO, A., O Coração disparado, Rio de Janeiro, Salamandra, 1984,p.78
PRADO,A., Bagagem, Rio de Janeiro, Guanabara, 1986.
PRADO,A., Poesia Reunida, São Paulo, Siciliano, 1991
1 FREUD, S., Der Wahn und die Träume in W. Jensens Gradiva, SFS, Frankfurt, S. Fischer, vol. 10, 1906-7, pgs.9-86.
2 FREUD, S., Der Dichter und das Phantasieren, SFS, Frankfurt, S. Fischer, vol. 10
3 LACAN, J., Seminário sobre a Carta Roubada, Escritos, São Paulo, Perspectiva, 1966, pgs.17-68.
4 PRADO,A .,Grande Desejo, Bagagem, p. 20
5 PRADO, A.,"Os Acontecimentos e os dizeres" Poesia Reunida.
6 PRADO, A., Poesia Reunida. p.22
7 PRADO, A., Poesia Reunida. p.22
8 Ave, ávido./ Ave, fome incansável e boca enorme,/come./ Da parte do Altíssimo te concedo/ que não descansarás e tudo te ferirá de morte:/ o lixo, a catedral e a forma das mãos./ Ave, cheio de dor. IN: PRADO, A., Anunciação do Poeta, Poesia Reunida, p.75.
9 PRADO, A., Poesia Reunida. p 57
10 PRADO, A.,Solte os cachorros, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1979, p.83
11 BLANCHOT, M., L'Espace litteréraire, p.260.
12 LACAN, J., O Seminário, Livro XX, Mais, Ainda, p. 35
13 PRADO, A., O Coração Disparado, Rio de Janeiro, Salamandra, 1984,p.78
Ccontato com a autora:cristianafac@rionet.com.br

Agenda Semanal de 31 de Agosto a 04 de Setembro - EBP - Delegação Paraná




Para melhor visualizar a agenda entre no link abaixo.
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Escola Brasileira de Psicanálise - Delegação ParanáR. Tibagi nº 294 - conj1106Tel: (41) 3324-6432Horário da secretaria: Segunda a Sexta das 14:00h as 18:00h.A Agenda Semanal pode ser visitada também pelo site: http://www.ebp.org.br/escola/delegacoes/del_parana/parana_ativa.html

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O Que Se Leva Da Vida


Leva na brincadeira

Não me leve a mal

Nem tudo é de primeira

Nem tudo é banal

Uma vida só é perfeita

Quando chega no final

Não segue uma receita

É uma história sem moral

Você leva a vida inteira

E a vida é curta e coisa e tal

Se você não aproveita a vida passa
E tchau
Leva a vida mais simples

Que a morte é sempre ingrata

Se acabar ficando quites

É a vida que te mata.
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Túlio Deck